Morreu a atriz Adelaide João, vítima de covid-19

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Morreu a atriz Adelaide João, vítima de covid-19

A atriz Adelaide João residia na Casa do Artista© D.R.

A atriz Adelaide João, de 99 anos, morreu na madrugada desta quarta-feira na Casa do Artista, em Lisboa, onde residia, disse à agência Lusa fonte da instituição.

A atriz, que recebeu em 2007 o prémio Sophia pela carreira, morreu vítima de covid-19.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou a morte da atriz, recordando uma "figura inesquecível do teatro, da televisão e do cinema em Portugal".

"Adelaide João, atriz de uma graciosidade imensa e com uma singular inteligência de palco, era reconhecida pelos seus colegas de profissão como um exemplo de integridade e de entrega. A profusão de papéis, do teatro experimental às séries de televisão e ao cinema, são testemunho da qualidade e de um modo de representação sem pejo na diversidade e na entrega", pode ler-se na nota de pesar do ministério, que endereça as condolências à família e amigos.

No dia 25 de janeiro, na página de Facebook, a Casa do Artista indicava que "após onze meses de grande cuidado e dedicação" tinham sido detetados "testes positivos entre os residentes e funcionários", tendo sido "tomadas todas as precauções e diretrizes indicadas pelas diversas entidades competentes".

Maria da Glória Pereira Silva, de nome artístico Adelaide João, nasceu em Lisboa em 27 de julho de 1921 e começou como atriz amadora no grupo de teatro da Philips.

A intérprete iniciou-se no pela mão do pai do ator Morais e Castro e foi buscar o nome profissional aos dois primeiros nomes da mãe e do pai.

Estudou no Conservatório Nacional e, em 1961, partiu para Paris para estudar teatro, com uma bolsa de estudo, tendo trabalhado em teatro com várias companhias francesas já que obteve a carteira de atriz profissional naquele país. Chegou a trabalhar numa companhia de teatro que era dirigida por Ingrid Bergman, como disse em declarações à RTP.

A atriz integrou o elenco de "A intrusa", do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck, "A Castro", de António Ferreira, em 1961, e "Eva e Madalena", de Ângelo César, em 1962.

Em 1961, representou "O consultório", de Augusto Sobral, no Teatro Nacional D. Maria II, e, um ano depois, "A rapariga do bar", dirigida por Couto Viana, no Teatro da Trindade pela Companhia Nacional de Teatro.

Em 1965, Adelaide João, volta de vez a Portugal, voltando também para a televisão e integrando a Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Helena Félix e Luzia Maria Martins.

Nos anos seguintes, integrou companhias como o Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado ou O Bando, de que era cooperante.

No teatro O Bando fez parte do elenco de peças como "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, e "Os anjos", de Teolinda Gersão, entre outras.

O seu trabalho na televisão repartiu-se por séries, telenovelas, telefilmes e teatro televisivo.

"O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, "A sapateira prodigiosa", de Federico García Lorca, "A vida do grande D. Quixote", de António José da Silva, "Schweik na Segunda Guerra Mundial", de Brecht, foram outras das muitas peças em que participou.

Integrou o elenco de telenovelas como "Vila Faia" (1982), "Origens" (1983), "Chuva na Areia" (1985), "Palavras Cruzadas" (1987), "Nunca Digas Adeus" (2001) e "Tudo por Amor" (2002).

"Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos, "A última dança", "A mulher que acreditava ser presidente dos Estados Unidos", de João Botelho, "Telefona-me" e "A estreia", de Frederico Corado, "O processo do rei" e "O fim do mundo", de João Mário Grilo, "Francisca", "manhã submersa" e "Amor de perdição", de Manoel de Oliveira, contam-se entre os filmes em que participou.

O último trabalho de Adelaide João na televisão data de 2014 na série televisiva "The Coffee Shop Series", cuja primeira temporada foi transmitida na SIC Radical e, a segunda, na RTP 2.

Fonte: Diario de Noticia

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